quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Meu relicário

Se cada alma,cada ser pensante ou imaginário
Tivesse uma história, um conto, um relicário...
Uma caixinha de memórias pra guardar toda a sua vida
O que estaria à mostra, sob os laços e as linhas divididas?

Será que menções honrosas, ou replicas de vidas sem ousadias ou
Ousadas mesmo seriam as vidas dos vagabundos, ignotos e vadias?
Talvez só as vidas ao meu redor já bastassem...
Mas e as vidas dos que meus olhos não sabem?

A vida dos longes, do perto de outros lados
A vida dos monges, dos pretos exilados.
A vida do doutor, medico sem acaso
E a do senhor, aquele que tem o melhor remédio pro atraso

A paciência, que é como aquele laço que enfeita o relicário
Ele demora a ser feito, poucos sabem como usá-lo
Requer habilidade, um bom gosto audaz
Mas no fundo, o que de bom ter um laço te traz?

Talvez a confiança de não ter a alma perdida
De ter suas linhas bem divididas
Divididas ao meio, por que nenhuma vida é inteira sozinha
Toda vida é feita de metades, metades já vividas

Talvez dentro disso tudo não aja só ilusão
Também deve haver felicidade, dor e emoção
Deve haver uma memória quase esquecida
De como é bom ter a vida dividida

E no meu relicário, guardarei este meu imaginário
E com minha metade, com o que for importante, preencherei o restante.


Por Guilherme Gomes