segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tanto canto

Me falaram pra cantar
E nesse canto que em presente se narra
Percebi um grande problema

Percebi que quando eu canto
Minha voz em pranto se faz inerte
Acompanhado ou não, de um velho violão
Cuja voz lhe atravessa os dentes

Dentes de nylon, de aço, de simples plagio
Ele também tem seu canto
Canto reto, canto em L
Esse, de todos é o mais sem encanto

Este é outro canto, o encanto
Eu encanto quando canto meu violão do canto
Quando o canto lhe atravessa os dentes
Mas se for em bando, entretanto, é mais coerente

Eu raramente encanto quando nesse canto
Não há mais o meu velho violão.
Ninguém que trabalhe em canto
Encanta na solidão.

Agora, se há no canto um jovem coração
Que procure num cântico uma simples distracção
Cante, porque quem canta e nunca para
Seu encanto, do seu canto, não se separa.

Por Guilherme Gomes

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