quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Meu relicário

Se cada alma,cada ser pensante ou imaginário
Tivesse uma história, um conto, um relicário...
Uma caixinha de memórias pra guardar toda a sua vida
O que estaria à mostra, sob os laços e as linhas divididas?

Será que menções honrosas, ou replicas de vidas sem ousadias ou
Ousadas mesmo seriam as vidas dos vagabundos, ignotos e vadias?
Talvez só as vidas ao meu redor já bastassem...
Mas e as vidas dos que meus olhos não sabem?

A vida dos longes, do perto de outros lados
A vida dos monges, dos pretos exilados.
A vida do doutor, medico sem acaso
E a do senhor, aquele que tem o melhor remédio pro atraso

A paciência, que é como aquele laço que enfeita o relicário
Ele demora a ser feito, poucos sabem como usá-lo
Requer habilidade, um bom gosto audaz
Mas no fundo, o que de bom ter um laço te traz?

Talvez a confiança de não ter a alma perdida
De ter suas linhas bem divididas
Divididas ao meio, por que nenhuma vida é inteira sozinha
Toda vida é feita de metades, metades já vividas

Talvez dentro disso tudo não aja só ilusão
Também deve haver felicidade, dor e emoção
Deve haver uma memória quase esquecida
De como é bom ter a vida dividida

E no meu relicário, guardarei este meu imaginário
E com minha metade, com o que for importante, preencherei o restante.


Por Guilherme Gomes

terça-feira, 29 de junho de 2010

Rio de Janeiro a Janeiro

O Rio de janeiro continua lindo. Sempre lindo. Assim, dois amigos se sentaram a beira da praia para beber uma doce água de coco, no fim de mais uma quente tarde veraneia.

- Sabe meu amigo, me encontrei outro dia num fim de tarde desse inverno caminhando contra aquela brisa gelada pela Av. Portugal na Urca, e vi em uma delirante paisagem uma daquelas fotos que admiramos como planos de fundo nas telas e acreditamos não existir um lugar real assim. Mas existe e é tudo tão mais belo ao vivo, é tão mais prazeroso sentir o cheiro do mar e ver o sol descendo por trás dos montes no horizonte. É tão mais intenso que me fez até descobrir o amor por esse pedaço de terra.
- Ah! Também encontrei esse amor certa vez enquanto caminhava pela Praça Santos Dumont avistando aquelas incríveis árvores do jardim botânico, tantas e tantas fazendo do verde com prédios modernos, um belo contraste. E não para por ai, viu?
- Não mesmo! Complemento e digo que revi esse amor quando parei na lembrança, a pedra do arpoador pelo amanhecer naqueles dias de verão, que já pela manhã, faz a pele suar com aqueles muitos graus centígrados...
- Então porque não falar da Lagoa Rodrigo de Freitas? Ah! A lagoa... Faz-me lembrar como é tudo tão belo, durante o dia. Os raios de sol nos morros fazendo sombra nos ‘piers’, faz qualquer alma se acalentar!
- De acordo, meu caro... O rio é beleza para o tempo todo... É apaixonante quando me lembro à pacífica sensação de caminhar pela orla das quatro da tarde, às seis da noite com alguém ou sem ninguém.
- E quanto à noite, não tenho muito a dizer. Só deixo a imaginação alheia trabalhando tentando imaginar a cena: Todas as estrelas do céu disputando o brilho com poucos postes na beira das águas doce ou da salgada, todos duplamente refletidos sobre a água deixando-nos ver somente a silueta dos gigantescos morros a sua volta.
- É imensurável essa beleza que parece não ter fim, não é? As praias populares... Ipanema, Copacabana, Leme, Leblon... As praias semi-desertas... Do meio, Inferno, Tartaruga na meio esquecida Barra de Guaratiba. As vistas do corcovado, da vista chinesa num alto ponto da floresta da tijuca...
- Meu Deus! Como tenho a sorte de conhecer mil cantos dessa cidade que encanta e canta com beleza sem fim...
- Como temos sorte!
- Sim e que saber? Dependo dela para ser feliz. Afinal, O que seria de mim sem essa pequena, porém imensa, porção do paraíso?
- Seríamos nada, não é? Então creio estar puramente certa ao dizer ‘Rio maravilha, somos apaixonados por você!’


Por Psy O.L e Guilherme Gomes

domingo, 30 de maio de 2010

Logo no chuvoso mês

Me faz uma falta a tua pele branca
Teu corpo durinho, mão delicada
Me faz uma falta tua voz que canta
Até em murmurinho, linda até calada

E o seu vibrar que me encanta
Quando deslizo meus dedos pelo seu corpo
Tiro-lhe a manta
Você me fascina em um todo

Me lembro de nossos delírios
Te fazia gritar e gemer sem parar
Na praia,no quarto,em leitos até de rios
Em escadas, esquinas, em todo lugar

Alguns dizem que te roubei
Que você já foi de outros amantes
Eu digo que foi uma herança que herdei
E que minhas mãos te completam mais que as de antes

Mas agora,sinto sua falta quando o dia me acorda
É tanta falta que chamo de solidão
Ah! Maldito dia que fui estourar sua corda
Logo no chuvoso mês, fiquei sem você: Violão.


Por Guilherme Gomes & Psy O.L

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Tanto canto

Me falaram pra cantar
E nesse canto que em presente se narra
Percebi um grande problema

Percebi que quando eu canto
Minha voz em pranto se faz inerte
Acompanhado ou não, de um velho violão
Cuja voz lhe atravessa os dentes

Dentes de nylon, de aço, de simples plagio
Ele também tem seu canto
Canto reto, canto em L
Esse, de todos é o mais sem encanto

Este é outro canto, o encanto
Eu encanto quando canto meu violão do canto
Quando o canto lhe atravessa os dentes
Mas se for em bando, entretanto, é mais coerente

Eu raramente encanto quando nesse canto
Não há mais o meu velho violão.
Ninguém que trabalhe em canto
Encanta na solidão.

Agora, se há no canto um jovem coração
Que procure num cântico uma simples distracção
Cante, porque quem canta e nunca para
Seu encanto, do seu canto, não se separa.

Por Guilherme Gomes

quinta-feira, 6 de maio de 2010

O tudo

O Sol nascente iluminando todos os traços de vida,as nuvens cobrindo o céu escondem o azul que nele há, junto com as gotas de chuva que caem e purificam nossa alma.
As lembranças de um passado não tão distantes se unem com a esperança desse futuro ou do bem nesse instante.O mar, verde mar azul, que com as suas ondas mostram que o lindo e o poderoso não estão traçando barreiras pois são um só. Como os raios no céu, as montanhas e os vales,tantos lugares para se desvendar: trilhas, pedras e cachoeiras não tão distante cujo olhar pode enxergar.
Na linha do horizonte o além que vem se torna mistério.Em terra firme árvores, areia e pedras enfeitam os caminhos abertos pelo fogo que queima o que era verde.
As manhãs com o canto dos pássaros, as tardes com o conto dos carros e as noites com gritos exaustos. A água rara e a terra cara, o ar puro, a poluição, o petroleo. O tudo.
A vida que passa e a que vem, as pedras no caminho e um caminho de pedras. A coragem para prosseguir e o medo de desistir. O tudo a nossa volta e o nada dentro de nós.O todo em pensamento e o nada natural. A realidade e a insanidez.O vento nas folhas e o tempo sem flores.
Caminhos bons e ruins, cabe a nós escolher, cabe a nós, cada um de nós ser feliz, ter porque rir e sonhar.
Cabe a nós amar.


Por Guilherme Gomes

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Mal-me-quer

Era uma sequestradora de almas, um diabo loiro, meu corisco de saia.
Eu era apenas um jovem corajoso.
Ela era bela fera, meu perigo caucasiano, fonte de encanto, beleza pura.
Eu era apenas um jovem corajoso.

-Dentre tantos meses que se passaram, onde os anos se formaram, o que me diz sobre a saudade? - Disse-a das almas que era dona.
-De todos os dias incoerentes, onde as horas eram da gente, nunca estive tão feliz como agora! - Falei com coragem que me era pouca -Mas dos anos que acabaram, me recordo de dois carnavais, me diga então sobre teus casos carnais.
-De caso vil não creio que queiras saber, mas se vem ao caso, felicidade tambem domina o meu ser!
-Ah, como se eu acreditase...De tantos que por ti se apaixonam e dos muitos que por ti ainda choram,poucos são os que tem sorte de te encantar.
-E você foi um deles, não te digo que são tantos nem que cometi algum erro.O que posso fazer se agrado a troianos tanto quanto aos gregos?
-O problema não é agradar a tantos, o problemas são juntamente seus encantos!
-Ah! Lindo, encantos são naturais,que faço eu com casos carnais?
-Seus casos tu furtas em dias nublados,sinto pena é dos coitados...
-Coitada de mim se me ve com estes olhos! Eu Tambem tenho sonhos.
-Sonhos de colecionar olhos, voltados pra ti,todos em si...
-Não deixa de ser um sonho..
-Nem de ser inglorio...
-Tu pensas que sou ladra com qual objetivo?
-Ladra tu és, agora d'alma qual é o adjetivo?
-De animico só tenho a dor, dor de um recorente amor.

Já não era mais tão impavido.
Ela ainda era bela fera dos olhos de maré.
Já não era mais tão impavido.
Ela ainda é meu mal-me-quer.


Por Guilherme Gomes

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Meu maior bem

Está aqui dentro, realmente está presente.
Presente no meu sangue e me fará morrer de amor.
É o meu vicio, meu vicio simplesmente.
É simplesmente o meu único amor.

É o que me faz sujar as paginas brancas
Rabiscar uma palavra qualquer
Construir entre bordas insanas
Nossos rios de amor-maré.

E se te disserem que ainda te quero
Que ainda,oh! Pobre,te espero.
Se te disserem dessas palavras a metade
Saiba que é a mais pura verdade

Saiba que de toda zelotipia
Nunca tive dor tamanha.
Pois ao levar minha tequila
Me deixou, somente com uma brahma.

Não temo a morte. Eu tenho sorte. Eu amo alguém.
E aprenderia amar se não amasse ninguém.
Mas te juro, meu amor. Que com um vinho do Chile talvez
Eu seria bem mais feliz...Se me desse um whisky escocês.

Por Guilherme Gomes

quinta-feira, 22 de abril de 2010

O meu tal mal

Está aqui dentro. Presente no meu sangue, esboçado em minha pele, ausente em meu rosto. Mas esta aqui e já não há como fugir. Atestado de óbito assinado, creio eu. Ora! Como pude ser fraco, tão cego? Inocente até que me provem o contrário. Porém provem rápido. O masi agil possível. Não tenho tanto tempo assim. Não tenho mais tempo pra mim. O meu sangue, deste tal mal, está repleto. Agora, a respeito deste tal, estou inepto. Já não há o que fazer a não ser observar o meu corpo enfraquecer, o meu rosto esbranquiçar. Minha carne vai emagrecer e pela fraqueza, a morte vai me vencer.
Vou ver o meu organismo desistir, fraquejar, sucumbir. E meus queridos amores, irão encher-me de remédios, esperançosos em ver-me melhorar. Médicos, tentarão de tudo, para manter-me aqui. Não adianta, meu queridos. Não adianta tentar. Meu corpo vai desistir. É dor demais pra se aguentar. Por fim, irei partir ao meu coração falhar.
Descuidei-me da vida e vos imploro perdão. Lhes súplico que não me odeiem e que fiquem ao meu lado. Fui estúpido, eu sei. Mas um estúpido sábio, que não soube dizer não. Um abraço, um beijo e em consequência, tesão. Ah! Se eu resistisse a ela! Seria eu puro até então. Mas não. Dei-me por inteiro de carne e alma naquela mão. Ah! Se eu fosse um pouco mais cuidadoso... Não daria-te assim meu coração. Não sofreria a ponto de deixar-me de lado, nem daria-me por inteiro a tal paixão. Dei-me e com tudo, abandonei-me na dor. Sem doenças, sem aids, nem nada. Eu vou mesmo é morrer de amor.


Por Psy O.L

terça-feira, 20 de abril de 2010

Amor

Sempre amarei
Por todas as fases de minha vida
Sempre lembrarei
Das minhas noites mal dormidas

Que pensando nela eu errei
Errei mesmo
Errei feio,errei em pensar que a esqueci
E no esquecimento me escondi.

Escondi no vento que leva
E no tempo que traz
Me escondi em braços tais
Em anos sem iguais

E nas manhãs me joguei
Vi que amei
Vi que amo e
Sempre amarei

Amar é simples
Simplesmente dificil
Amar é simples
Simplesmente um vicio

Um vicio que te domina e
Tua vida aniquila
Um vicio somente
Somente e simplesmente

Amor.

Por: Guilherme Gomes

Caneta

O papel estava em branco, tão lindo
com listras azuis. Limpo, liso.
Mas eu tinha que escrever, não é?
Tinha que sujar
a pureza da página
E a caneta não para de rabiscar
uma palavra qualquer.
Tinha de acabar com a ingenuidade da branca.
Porque não paras caneta?
Porque tanto precisas pintar?
Porque não cala na sua ponta
a dor que tentas esboçar?
É muita dor para uma ponta só?
Ora! Então espere eu desenhar a minha
É tanta dor, que sua ponta dará um nó
E vou ficar mais uma vez sozinha.

Por: Psy O.L

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Pobre mentira

Pobre de ti se achas que te esperei tanto tempo. Se achas que em meu peito ainda bate com força igual um coração que um dia foi teu, mas que agora não é mais. Pobre de ti se pensas que ainda sofro por ti, se é que um dia o fiz. Pobre de ti, se acreditas que o brilho dos meus olhos agora provem de chorosas lagrimas por sua falta. Viva a doce ilusão de que em minha vida tu ainda és importante, se achas mesmo que és relevante. Pobre de ti, ainda mais, se acreditas no que ouvistes em toda essa historia de "não te esqueceu, ainda lhe ama, ainda lhe quer". Ah! Pobre mulher. Tua imagem já não passas de uma miragem do que já foi um dia, você para mim. Não és nada e deste nada tu és tudo. Então pobre de mim! Pobre de mim, sim. Que digo não amar, não querer, não desejar. Pena que sinto por mentir pra mim. Pobre de mim que não sei parar de mentir...


Por: Guilherme Gomes
Modificado por: Psy O.L

sábado, 10 de abril de 2010

Não amar ninguem

É a dádiva dos fracos
O esconderijo dos medrosos
não amar ninguém é ser opaco.
Medroso com coração fraco.

Sou forte. Eu amo alguém.
e morro de pena de quem não ama ninguém.

É respirar amor e não sentir a narina queimar.
É saber que o coração bate
e não sentir o seu pulsar.
Não amar ninguém é tolice
É armadura de papel pra quem foge de sofrer
É burrada, esquisitice, maluquice
É viver brincando de viver.

Eu tenho sorte. Eu amo alguém.
E me sinto vazia quando não amo ninguém.

É desejo dos hipócritas
Realidade dos piscicopatas
Não amar ninguém é furada
É existir vazio, nunca ter ninguém,
é ser um nada.

Não temo a morte. Eu tenho sorte. Eu amo alguém.
E aprenderia amar se não amasse ninguém.

Por Psy.